sábado, 16 de abril de 2011

Restaurada, capela de 1622 ganha circuito de visitação

ALESSANDRA BALLES
DE SÃO PAULO
Felix Lima/Folhapress

A capela de São Miguel Arcanjo, na zona leste, ganhou um circuito de visitação. Pronta depois de sete anos de restauração, ao custo de cerca de R$ 6 milhões, vai ser reaberta ao público no próximo dia 26.


A capela, cujo término da construção foi em 1622, é considerada a mais antiga da cidade de São Paulo. Foram utilizados taipa de pilão, pau a pique e adobe (tijolo grande de argila, cozido ao sol e às vezes misturado à palha ou a capim para ficar mais resistente).
"Cada cômodo contará uma história", disse Vinicius Silva da Mercês, assistente de projetos da Associação Cultural Beato José de Anchieta.
A visita ao local, que já serviu de área de descanso para os bandeirantes, passa das técnicas de construção do período colonial até um monitor de TV com depoimentos de moradores do bairro de São Miguel Paulista.
"Vai dar para entender a história e a influência dos que passaram por aqui, desde José de Anchieta até os nordestinos", disse Vinicius.

Felix Lima/Folhapres


Felix Lima/Folhapres

IMAGENS SACRAS
O único local que não poderá ser visitado é a sacristia, que conserva o mesmo chão do século 17. No restante da construção, o piso foi protegido por uma manta e sobreposto por outro material.
Durante a visita, também poderão ser conhecidas imagens sacras dos séculos 17 a 19. Algumas delas foram recuperadas após terem sido destruídas, em junho de 1952, por um morador.
Uma delas é uma Nossa Senhora com Menino Jesus, imagem de terracota de 60 centímetros que foi um dos alvos do vândalo e, na época do restauro, foi descoberta como uma joia: é do frei beneditino Agostinho de Jesus.
De acordo com historiadores, ele é o escultor da imagem encontrada por pescadores e que deu origem à adoração de Nossa Senhora Aparecida.
CAPELA DE SÃO MIGUEL ARCANJO
ONDE
Praça Padre Aleixo Monteiro Mafra, 11, São Miguel Paulista, telefone 0/xx/11/ 2032-3921
QUANDO
Quinta e sexta, das 10h às 16h (é preciso agendar por telefone); aos sábados, das 11h às 16h (não é preciso agendar)
QUANTO
R$ 4 (estudantes pagam meia; crianças menores de cinco anos, idosos acima de 60 anos, deficientes e professores e estudantes da rede pública são isentos)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Iniciativa privada ajuda a preserva o patrimônio em Santa Bárbara

Parcerias na Preservação em Santa Barbara.

Além dos braços das instituições federais de preservação do patrimônio histórico, a iniciativa privada dá mostras de valor no trabalho pela memória cultural do país. A Fazenda Barão de Capanema, que se abriga num vale em formato de ferradura na serra de mesmo nome, em Santa Bárbara, na Região Central de Minas Gerais, assumiu a restauração da capela de Santo Antônio, datada de 1792, e mantém vivas as ruínas da casa do lendário barão. Tão importante quanto a iniciativa de investir dinheiro na reconstituição, as duas relíquias estão abertas à visitação pública, apesar de estar em propriedade particular.


Adquirida há 25 anos pelo industrial Luiz Otávio Pôssas, dono da cachaça Vale Verde e de um parque ecológico instalado em Betim, na Grande BH, a Fazenda Barão de Capanema foi abrigo do naturalista, engenheiro e ativo pesquisador de bens minerais no século 18. Com assistência dos técnicos do Instituto Estadual de Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha), a restauração da capela de Santo Antônio devolveu ao prédio as pedras portuguesas que se desgarraram da fachada e as molduras originais das janelas e porta.
O mezanino em madeira de ipê, dos fundos da igrejinha, que havia desabado, também foi recomposto como na versão original. A exemplo dele, a balaustrada lavrada a mão, conta Luiz Pôssas. “Nosso trabalho tem sido o de manter vivo esse lugar histórico”, conta. O madeirame e telhas foram recompostos, e as paredes, com 1 metro de espessura, passaram por revitalização.
Quem desejar conhecer a capela e as ruínas pode agendar a visita pelo telefone (31) 3079-9171. Há duas datas particularmente ricas para se apreciar o patrimônio deixado pelo Barão de Capanema. Em junho, no Dia de Santo Antônio, e durante as festividades da Folia de Reis, a igrejinha é aberta para receber os moradores das comunidades do entorno, como de Glaura, em Ouro Preto, Acuruí e Maracujá, de Itabirito. A tradição oral conta que Capanema era filho bastardo de Dom Pedro II, mas não há esse registro na história documentada.
Pesquisadores citam Guilherme Schüch, favorecido pelo título de Barão de Capanema, nascido em 1824 na Fazenda Timbopeba, no distrito de Antônio Pereira. Era filho do austríaco Rochus Schüch, que esteve no Brasil em 1817 na missão de cientistas que acompanharam a princesa Leopoldina, futura imperatriz. A fazenda fica a 6 quilômetros de estrada de chão, partindo-se do Centro de Itabirito, trecho que dá acesso a um cinturão de montanhas de extrema beleza.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Revitalização Praça Diogo Vasconcelos

As obras de revitalização da Praça Diogo de Vasconcelos, chamada carinhosamente de Praça da Savassi, na Região Centro-Sul da cidade, começam hoje. A empreiteira vencedora da licitação tinha 10 dias para começar o quebra-quebra, mas, durante o fim de semana, algumas faixas já foram instaladas, informando sobre o início das obras nos quarteirões fechados, como nas ruas Tomé de Souza e Antônio de Albuquerque, e interdições na Rua Pernambuco, onde só será permitido o trânsito local.

Outras intervenções estão sendo analisadas pela BHTrans e uma comissão formada por moradores e comerciantes vai acompanhar todo o processo das obras, inclusive apresentando propostas para minimizar os impactos na região. Quanto ao trânsito, a situação ficará mais complicada para os motoristas só a partir de maio, quando as obras atingirão trechos de fluxo mais intenso.



O investimento de R$ 10,4 milhões vai dar novo tratamento paisagístico à Praça da Savassi e aos quatro quarteirões das ruas Pernambuco e Antônio de Albuquerque. O local vai ganhar fontes, jardins, bancos em granito e nova iluminação. O cruzamento da Avenida Cristóvão Colombo com a Avenida Getúlio Vargas terá travessias elevadas para pedestres, semelhantes àquelas construídas em frente ao Mercado Central e em ruas do Centro da cidade. Uma escultura também deverá ser instalada no local.

A promessa era reformar também as calçadas dessas avenidas, mas o orçamento inicial de R$ 14 milhões encolheu e o projeto ficou de fora. Segundo o secretário municipal de Obras, Murilo Valadares, 200 vagas de estacionamento rotativo serão extintas nos quarteirões fechados, dando lugar a calçadões para uso exclusivo de pedestres, com soluções de acessibilidade, inspiradas nos boulevards das cidades europeias. Ainda no que diz respeito à infraestrutura da região, a iluminação terá postes sem fio e a rede de drenagem será substituída.

"CLicitamos uma obra maior, mas o dinheiro vai dar somente para a primeira etapa. Depois, faremos a troca dos passeios das avenidas Cristóvão Colombo e Getúlio Vargas%u201D, disse o secretário, na semana passada, quando anunciou oficialmente o projeto, divulgado com exclusividade pelo Estado de Minas no dia 17 de março.

Grande parte da verba para a revitalização da praça vem de um repasse do Shopping Pátio Savassi, a um quarteirão dali. Para ampliar seu espaço, o empreendimento precisou desembolsar R$ 7,58 milhões e fazer algumas alterações no projeto de expansão, como nas entradas das garagens. Para concluir as obras, a diferença virá de recursos municipais.

Entrevista

Zenobia -Arquiteta e Urbanista - 55 anos 
Formada pela UFMG, trabalha com Patrimônio há mais de 20 anos.

Para você o que significa Patrimônio Cultural?
Patrimônio Cultural é o testemunho da trajetória de um povo.Conhecendo nossa história passamos a valorizar os nosso símbolos, sentindo parte integrante de uma comunidade e consequentemente estamos protegendo estes simbolos para gerações futuras.

Acha importante a preservação e manutenção de um imóvel tombado?
Sim

Que benefícios, em sua opinião, existem em preservar um imóvel tombado?
O imóvel tombando pode ter um novo uso e agregar valores para um empreendimento novo.

Há uma edificação na cidade que você gostaria de ver preservada, qual?
Algumas casas da R. Varginha que são tombadas mas estão em péssimo estado de conservação.

Existem incentivos ao proprietário de imóvel tombado, pode citar algum?
Em Belo Horizonte isenção do IPTU para edificios tombados e em bom estado.

domingo, 3 de abril de 2011

UFRJ diz que falha em licitações contribuiu para incêndio


Foto: Agência O Globo


Em nota divulgada na tarde desta terça-feira (29), a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) informou que inadequação da legislação brasileira de licitações pode ter sido uma das responsáveis pelo incêndio que destruiu parte do centenário prédio do Palácio Universitário da Praia Vermelha, na zona sul da capital fluminense, na última segunda-feira (28).

Incêndio atinge campus da Praia Vermelha da UFRJ
UFRJ: Aulas em campus incendiado só retornam na sexta-feira
Segundo a UFRJ, a inadequação" ocorre porque a "legislação obriga a universidade a contratar pelo critério do menor preço e não prevê mecanismos específicos para obras que tenham por finalidade a preservação de nosso patrimônio material".

De acordo com a instituição, uma empresa realizava uma obra de restauração e reforma da Capela Capela São Pedro de Alcântara, que fica dentro do prédio, e a suspeita é que um maçarico pode ter provocado o fogo. Caso seja comprovado que houve negligência, a UFRJ informou que poderá exigir a reparação na Justiça. A PF (Polícia Federal) está investigando o fato.

Segundo a UFRJ, o fogo consumiu a capela e as atividades do prédio, que abriga ainda o Fórum de Ciência e Cultura, a Escola de Comunicação, a Faculdade de Administração e Ciências Contábeis, a Faculdade de Educação e o Instituto de Economia, só deverão ser retomadas na próxima segunda-feira (4).

Na nota, a instituição informa que, até segunda-feira, o Corpo de Bombeiros realizará trabalho de rescaldo e serão testadas as condições estruturais do prédio e a rede elétrica.

O reitor Aloísio Teixeira, informou hoje que as aulas de cinco cursos no campus da Praia Vermelha, na Urca, zona sul da cidade, só serão retomadas na próxima sexta-feira.

As aulas para cerca de 2.500 alunos de graduação dos cursos de Pedagogia, Economia, Administração, Ciências Contábeis e Comunicação Social foram suspensas após o incêndio.

Palácio não é só da UFRJ

A UFRJ informou ainda na nota que o Palácio da Praia Vermelha não é propriedade sua, mas de toda a sociedade brasileira e da cidade do Rio de Janeiro em particular. Segundo a universidade, ela é apenas a guardiã desse tesouro.

"E a solidariedade que temos recebido de vários os setores da sociedade dão testemunho de que essa consciência é compartilhada por todos. O Ministério da Educação, o Ministério da Ciência e Tecnologia, o Governo do Estado do Rio de Janeiro, a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia do Rio, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, parlamentares, dirigentes de empresas públicas já manifestaram sua intenção de apoiar a Universidade na recuperação das perdas sofridas", diz a nota.

A universidade pediu o envolvimento de toda a sociedade na reconstrução da capela e do seu entorno.